ISSN 2594-5300
15º Seminário de Aciaria — Vol. 01 , num. 15 (1983)
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Abstract
O conhecimento científico é posto a serviço do homem através da tecnologia que lhe fornece os meios adequados para a utilização dos recursos naturais para a satisfação das necessidades individuais e sociais de todos nós. O nosso país tem feito grande esforço em muitos setores e tem sido bem sucedido para absorver, adaptar e criar novas tecnologias, permitindo que o fruto do nosso trabalho possa frequentemente competir com o que é produzido lá fora. O nosso setor produtor de refratários também participou deste esforço pesquisando matérias primas, beneficiando-as devidamente e montando unidades industriais com equipes, tecnologias e equipamentos para produzir os refratários nas qualidades e quantidades que o nosso desenvolvimento industrial vem exigindo. Hoje o nosso parque produtor cerâmico refratário tem uma capacidade de 1.000.000 t/ano, com uma razoável participação no mercado exportador. Este parque, constituído de cerca de 40 empresas, produz mais de 700 marcas de diferentes produtos refratários, além de possuir flexibilidade para atender adequadamente às solicitações de novos materiais com as especificações técnicas que novos equipamentos ou tecnologias venham a exigir. A área siderúrgica e metalúrgica representa de longe o grande utilizador de materiais refratários e tem sido o motivador e o inspirador para todas as inovações que a cerâmica refratária tem desenvolvido. Entre nós, a Engenharia Refratária tem colaborado no desenvolvimento de projetos mas, temos que confessar, em muito pequena escala. Na realidade, todos os projetos que envolvem grandes quantidades de refratários têm sido desenvolvidos no estrangeiro e só depois de completos é que se trata de procurar os refratários nacionais que melhor se adaptam às especificações contidas nesses projetos. É portanto oportuno que façamos a revisão da atividade do Engenheiro Cerâmico Refratário e identifiquemos o que a Engenharia nacional precisará de ter em seu acervo para colaborar na nacionalização dos projetos dos mencionados equipamentos. A indústria nacional de refratários domina adequadamente o seu processo produtivo de modo a poder fornecer produtos atendendo a especificações rigorosas. As técnicas de controle estatístico de qualidade estão sendo largamente utilizadas fazendo com que os lotes fornecidos apresentem dispersões de parâmetros dentro das faixas previamente estabelecidas. Dessa forma, as suas características técnicas são suficientemente confiáveis para basear nelas projetos sofisticados. A Engenharia de Refratários, tanto dos nossos produtores de refratários como dos seus utilizadores, tem resolvido com brilho todos os problemas de especificação, dimensionamento, revestimento, posta em marcha e operação dos equipamentos cujo refratário tem vida curta, testemunhado pelos seus baixos consumos específicos. No entanto, para o desenvolvimento dos projetos dos equipamentos inicialmente mencionados, a colaboração da Engenharia de Refratários é indispensável. Tomemos como exemplo o alto forno e seus regeneradores e vejamos problemas típicos que o Engenheiro Refratário terá de enfrentar: cálculo da condução de calor em regime permanente e não permanente; cálculo de temperaturas em vários pontos das paredes; determinação de soluções econômicas de paredes compósitas; determinação de isotermas. Esses cálculos são fundamentais para a correta definição do sistema de refrigeração, utilização de refratários de alta e média condutibilidade, prevenção de condensações e tensões intercristalinas, definição das linhas de congelamento das escórias e dimensionamento da parede e sola do cadinho do alto forno. Os conhecimentos teóricos estão disponíveis, porém faltam dados básicos como coeficientes de condutibilidade térmica em diferentes temperaturas. Destaca-se a necessidade de bancos de dados técnicos e uso de computadores para processamento rápido desses cálculos. Conclui-se que é necessário um esforço coletivo envolvendo empresas de engenharia, siderúrgicas, fabricantes de refratários, universidades e centros de pesquisa para desenvolvimento de parâmetros técnicos e programas de cálculo, visando a independência tecnológica nacional.
O conhecimento científico é posto a serviço do homem através da tecnologia que lhe fornece os meios adequados para a utilização dos recursos naturais para a satisfação das necessidades individuais e sociais de todos nós. O nosso país tem feito grande esforço em muitos setores e tem sido bem sucedido para absorver, adaptar e criar novas tecnologias, permitindo que o fruto do nosso trabalho possa frequentemente competir com o que é produzido lá fora. O nosso setor produtor de refratários também participou deste esforço pesquisando matérias primas, beneficiando-as devidamente e montando unidades industriais com equipes, tecnologias e equipamentos para produzir os refratários nas qualidades e quantidades que o nosso desenvolvimento industrial vem exigindo. Hoje o nosso parque produtor cerâmico refratário tem uma capacidade de 1.000.000 t/ano, com uma razoável participação no mercado exportador. Este parque, constituído de cerca de 40 empresas, produz mais de 700 marcas de diferentes produtos refratários, além de possuir flexibilidade para atender adequadamente às solicitações de novos materiais com as especificações técnicas que novos equipamentos ou tecnologias venham a exigir. A área siderúrgica e metalúrgica representa de longe o grande utilizador de materiais refratários e tem sido o motivador e o inspirador para todas as inovações que a cerâmica refratária tem desenvolvido. Entre nós, a Engenharia Refratária tem colaborado no desenvolvimento de projetos mas, temos que confessar, em muito pequena escala. Na realidade, todos os projetos que envolvem grandes quantidades de refratários têm sido desenvolvidos no estrangeiro e só depois de completos é que se trata de procurar os refratários nacionais que melhor se adaptam às especificações contidas nesses projetos. É portanto oportuno que façamos a revisão da atividade do Engenheiro Cerâmico Refratário e identifiquemos o que a Engenharia nacional precisará de ter em seu acervo para colaborar na nacionalização dos projetos dos mencionados equipamentos. A indústria nacional de refratários domina adequadamente o seu processo produtivo de modo a poder fornecer produtos atendendo a especificações rigorosas. As técnicas de controle estatístico de qualidade estão sendo largamente utilizadas fazendo com que os lotes fornecidos apresentem dispersões de parâmetros dentro das faixas previamente estabelecidas. Dessa forma, as suas características técnicas são suficientemente confiáveis para basear nelas projetos sofisticados. A Engenharia de Refratários, tanto dos nossos produtores de refratários como dos seus utilizadores, tem resolvido com brilho todos os problemas de especificação, dimensionamento, revestimento, posta em marcha e operação dos equipamentos cujo refratário tem vida curta, testemunhado pelos seus baixos consumos específicos. No entanto, para o desenvolvimento dos projetos dos equipamentos inicialmente mencionados, a colaboração da Engenharia de Refratários é indispensável. Tomemos como exemplo o alto forno e seus regeneradores e vejamos problemas típicos que o Engenheiro Refratário terá de enfrentar: cálculo da condução de calor em regime permanente e não permanente; cálculo de temperaturas em vários pontos das paredes; determinação de soluções econômicas de paredes compósitas; determinação de isotermas. Esses cálculos são fundamentais para a correta definição do sistema de refrigeração, utilização de refratários de alta e média condutibilidade, prevenção de condensações e tensões intercristalinas, definição das linhas de congelamento das escórias e dimensionamento da parede e sola do cadinho do alto forno. Os conhecimentos teóricos estão disponíveis, porém faltam dados básicos como coeficientes de condutibilidade térmica em diferentes temperaturas. Destaca-se a necessidade de bancos de dados técnicos e uso de computadores para processamento rápido desses cálculos. Conclui-se que é necessário um esforço coletivo envolvendo empresas de engenharia, siderúrgicas, fabricantes de refratários, universidades e centros de pesquisa para desenvolvimento de parâmetros técnicos e programas de cálculo, visando a independência tecnológica nacional.
Keywords
Engenharia de refratários, Tecnologia nacional, Nacionalização de projetos, Alto-forno, Condutibilidade térmica
Engenharia de refratários, Tecnologia nacional, Nacionalização de projetos, Alto-forno, Condutibilidade térmica
How to cite
Cruz, Carlos R. Valente da.
A ENGENHARIA DE REFRATÁRIOS E O DESENVOLVIMENTO DA TECNOLOGIA NACIONAL,
p. 19-24.
In: 15º Seminário de Aciaria,
None,
1983.
ISSN: 2594-5300, DOI 10.5151/2594-5300-15Aciaria-19-24